segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Amnistia Internacional, Bandeira de Liberdade







Amnistia Internacional
 
Uma organização transnacional
Tendo um cunho humanista a respeitar
P´los Direitos Humanos quer velar
Num mundo tão polémico e imoral...
 
O império da lei há que enfeudar
Às liberdades mais fundamentais;
Impedir as torturas e os sinais
De abusos de poder  sem vacilar.
 
Combater corrupções e prepotências
Cortes às liberdades e direitos
Enfrentando censuras e até pleitos
Alertando o poder e as consciências.
 
Os povos bem precisam de bandeiras
Bastiões corajosos contra o medo,
Minando a opacidade e o segredo
Lutando, enfim, em todas as trincheiras...
 
j. leite de sá

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Aristóteles sempre em festa......



A vida do engº Aristóteles mudou um pouco desde  que a justiça __ sobretudo graças ao juiz Alexandrino Salomão__ começou a aprofundar o seu modus operandi. As escutas foram denunciando laços e teias de cumplicidades. As investigações prosseguiram e aprofundaram os fluxos financeiros, suas origens, datas, destinos. Foram comparadas datas de determinadas decisões e eventuais beneficiários delas. Havia uma técnica muito sui generis para despistar as autoridades: o circuito era complexo e havia o recurso a testas de ferro que funcionavam como intermediários, não sabendo, eles próprios,  muitas vezes, quem era o destinatário final dessas vultuosas verbas.
A rede era complexa e diversificada. Os fiduciários usados recebiam uma percentagem do volume transacionado (a título de subsídio de risco), Contudo, nem todos usavam a discrição necessária e os contornos foram-se avolumando de forma alarmante  tornando certas transações alvo de suspeita. A justiça ia fazendo o seu trabalho com meticulosa prudência.
Paralelamente,  o jornal «Corneta da Tarde», sempre sequioso de presentear os fiéis leitores de novidades neste domínio tão sensível,  ia dando conta de movimentos estranhos na vida do engº Aristóteles. A opinião publica ia sendo preparada para algo de surpreendente e colossal. Ia divulgando coisas aparentemente impensáveis para os ainda crentes na figura imaculada do engenheiro, que, usando a vasta rede de amizades (cumplicidades?) na comunicação social dava-se ares de vestal imaculada dizendo que vivia à custa da mãe e de uma pequena herança. Contudo, as exibições de poder financeiro eram constantes. Aqui e ali os seus mais íntimos (e íntimas) iam-se interrogando sobre a real origem desse pequeno império financeiro.
Uma amiga, Ferdinanda Cansado, foi escutada pela PJ a exclamar,  perplexa,     ao telefone:
«Não é muito vulgar um engenheiro que foi político de nomeada, ter casa em Paris e montes de massa...»

Ele sorria e disfarçava, dizendo que era tudo boa gestão de fortuna familiar. Tudo adentro das normas, nada de anormal. Não queria espantar a caça, levantar lebres, pois sabia que a "Corneta da Tarde" andava a pesquisar tudo sobre os movimentos suspeitos em seu redor. Escrutinar o poder, sem tergiversar, era o lema do referido jornal que não tinha  pruridos e aprofundava as questões com rigor e objetividade. Esquerda ou direita,  para a "Corneta",  não fazia diferença. O rigor era igual. Muito embora o engº Aristóteles propagasse o contrário. Ele acusava o jornal de perseguição pessoal, aliança espúria com a justiça para uma vendetta personalizada na sua pessoa. Chegou mesmo a admitir que o seu processo e a investigação ao seu património nada tinha de normal, era apenas uma forma de decapitar o seu partido e impedir que ele próprio fosse candidato a presidente da república. E esta tese chegou a ganhar foros de verosimilhança junto dos seus apaniguados, tal a insistência nela.
Até que um dia, a  sua ex-apoiante, Anita Gomez,  fez uma declaração pública hostilizando a criatura e os seus métodos. Segundo ela,  era suicidário o comportamento de alguns no aparelho partidário,  que não se apercebiam   de que o engº  Aristóteles estava a usar o seu partido para reforçar a vitimização, fazendo crer que era uma vítima de campanha político-partidária. Era uma subtil forma de parasitar o partido,  que devia ficar bem  a leste desta embrulhada.
Esse objetivo foi atempadamente travado. Mas nem todos seguiram o aviso. Outros, por amizade, gratidão política, ou por desejo de protagonismo fácil, continuaram a dar eco a esta vitimização promovendo jantares de louvor e de homenagem (estilo reparação moral, desagravo) ao engº,  usando o mediatismo como força intimidatória.

Enfim, o engº Aristóteles, sentindo que precisava cada vez mais dos holofotes mediáticos e estes começavam a ser mais comedidos, usou uma nova estratégia. Começou a trilhar o caminho da fama à custa da publicação de livros. Ou seja, para ter um pretexto para usar a arma mediática para enfrentar melhor a justiça, passou a escrever livros em catadupa  e cada lançamento era uma arma de arremesso à justiça. Estratégia pouco ética, mas de forma maquiavélica, sentindo que os fins justificam os meios, lá foi por ali fora, sem olhar a gastos, a cumplicidades, a estratagemas, a embustes...

Muito embora já chamuscado pela comunicação social que via nele um trambiqueiro, um embusteiro, um arrivista sem escrúpulos  (sobretudo aquando do processo da licenciatura, envolvendo um exame por fax e outro alegadamente feito  ao domingo...) ele enveredou pela via costumeira: o espertismo.
Não teve medo de ser de novo desmascarado. Coragem ou irresponsabilidade?!
O vício é terrível. Cesteiro que faz um cesto,  faz um cento. Ser embusteiro já fazia parte do seu ADN e não iria abdicar dele. Não receou que se descobrisse, que desse para o torto, que os próprios colaboradores dessem com a língua nos dentes ou que uma falha qualquer denunciasse esse mistificador comportamento. Enfim, o espertismo, a audácia tonta, o ingénuo e manhoso calculismo arrivista no seu horizonte...Os fins (fama, holofotes mediáticos, a glória no tecido intelectual, o aplauso acéfalo das hostes...) sempre a justificarem os meios ardilosos, capciosos, mercenários...
Enfim, aquilo estava-lhe na massa do sangue. Era imparável o recurso a artimanhas, falsidades, habilidades tontas de um desesperado. Esquecia, imprudentemente, que havia forças escrutinadoras no seu encalço e no encalço de todos os seus interlocutores. Ele era um alvo a abater. Havia sede de justiça em muitos segmentos: na política, na comunicação social, na justiça.

Um livro que fez publicar e que intitulou de «Carisma, o meu talento», foi escrito pelo professor Forninho, um conhecido professor universitário de Coimbra. Tudo pago a peso de ouro como era seu hábito. Não queria que os seus colaboradores se queixassem de falta de incentivos financeiros. Ele agora era um mãos largas, um magnânimo, um mecenas; essa faceta iria ser um dos seus calcanhares de Aquiles, pois toda a gente achava estranho tal comportamento. Lá diz a sabedoria popular «quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem!»
E, por muita amizade que se tenha a alguém, este exibicionismo choca e lança sérias suspeitas sobre a idoneidade de quem assim procede. Acresce o facto de haver circuitos  sinuosos a percorrer, barrigas de aluguer e fiduciários aos montes. Logo, tanta prodigalidade e tanto secretismo são sempre o tal fumo que prenuncia o fogo. quem se mete nestas coisas,  sabe-se, corre o risco de se queimar mais tarde ou mais cedo.
Enfim, cada qual sabe as linhas com que se cose. Mas quem está viciado (é o termo mais objetivo para classificar esta "praxis") nestas andanças não teme  a intromissão do longo braço da lei, ou melhor, julga que, usando alguns estratagemas e linguagens codificadas, nada de grave acontecerá, nada de anormal surgirá no horizonte. Irresponsabilidade ou confiança cega nas suas virtualidades?!
Ambas as coisas certamente.

É cada vez mais frequente...





É cada vez mais usual o que se passa em RARÍSSIMAS...


https://www.dn.pt/portugal/interior/rarissimas-gasta-dinheiro-em-vestidos-bmw-e-viagens-8975196.html

Gente sem tutela inspetiva (ou com ela fazendo "vista grossa"...) gasta o que não deve em coisas que são a tentação de alguns oportunistas...

A caridade, a solidariedade de uns ingénuos úteis  sendo aproveitada por espertos que vivem à grande à custa de todos nós...Virou praga!

Sim, senhor engenheiro!

Ele estava muito excitado. Era o seu amigo de Coimbra, o professor Forninho. Os minutos passavam e aquele diálogo apaixonante e tão íntimo era digno de figurar nos anais do anedotário indígena.

__Sabe__ dizia ele com entusiasmo desmedido__ eu quero que essa obra fique nos anais como a tal obra-prima imorredoira que leva diretamente ao Panteão, aquele tratado de eloquência incontestável, enfim, compreende-me, será a cereja em cima  do bolo de toda a minha carreira recheada de êxitos e vitórias indiscutíveis.
__Sim, sim__ dizia o professor, não regateando empenhos__ pode confiar em mim. Vou caprichar, será algo de transcendente, a crítica render-se-á e o público lerá isto com avidez e veneração.
__Quero que capriche nas frases em latim, quanto mais herméticas e rebuscadas melhor. Quero que exiba aquele nefelibatismo exacerbado que vos caracteriza e vos dá aquela aura de genialidade. Terá de ser uma escrita gongórica, um rococó inteligente e digno de um intelectual topo de gama. Enfim, está a ver, deverá subir aos rankings logo de imediato sem esperar pelos favores da crítica. Mas eu tratarei disso à minha maneira...Autopublicidade é o meu trunfo.
__Pode confiar em mim__ retrucou o professor Forninho__ eu sei fazer as coisas com discrição. Depois falaremos nos mecanismos remuneratórios. Vou precisar de uma certa  tecnicidade pois estou em vias de exclusividade na universidade  e não quero perder regalias. Compreende...
__É óbvio que sim. Dinheiro não faltará. Discrição é precisa em igual abundância no nosso duplo interesse. Confio cegamente em si e deverá confiar em mim. A confidencialidade é o segredo do nosso negócio. Nem Deus deve saber disto, como é compreensível. Queria rapidez e excelência. Sabe que pretendo que me faça uma tradução para francês, pois quero fazer passar isto como uma obra de tese apresentada na Sorbonne. Conto consigo ou com alguém de sua inteira confiança para que o sigilo não seja violado.
__ Serei um túmulo, pode crer. As coisas devem ser perfeitas em tudo. O senhor será alçapremado ao rol dos eleitos, dos ungidos por Minerva, a crítica ficará rendida para sempre ao seu ADN literário, ao seu engenho discursivo, ao seu fascínio intelectual. Ficará para sempre na galeria dos imortais.
__Obrigado, professor__ dizia o engenheiro Aristóteles com frenesim e fervor de um devoto, aguardando o milagre. O milagre da multiplicação dos talentos. __Sabe que já dei conta aos amigos do que estou a escrever, conto consigo para não os desiludir. Use aqueles termos rebuscados, parafernálias, idiossincrasias, coisas que caem bem no ouvido desta gente ignara que se rende ao exótico, ao esotérico. Quero que fiquem todos de boca aberta, rendidos à magnificência do meu estilo, ao fulgor das minhas análises, à clarividência da minha cosmovisão, enfim, sabe que sou vaidoso, gosto de me ouvir falar na televisão, por vezes fico horas e horas contemplando as minhas entrevistas em que sou a estrela refulgente perante aqueles abúlicos e monocórdicos entrevistadores de  pacotilha,  incapazes de esgrimirem com o meu ego fulgurante e omnisciente; quero convencer o vulgo, mas também as pseudoelites, que por vezes, me agridem de forma insana. Esses, também, serão o alvo dessa minha  lava intelectual que jorrará, tal qual uma fonte de Parnaso,  aos olhos espantados  dos meus acerados adversários.
__Sim, sim,  senhor engenheiro. Será um murro no estômago dessa gentalha  que o insulta diariamente nas redes sociais e nos blogues, sem respeito;  dobrarão a cerviz de forma  radical ao lerem este manancial de lucidez e de mundividência que  trará delícias a  todos, fazendo baixar a crista aos mais céticos, aos mais ferozes. Capricharei no tom, farei tudo o que estiver ao meu alcance para que a sua fama centuplique e suba em espiral aos céus da grandiloquência. Será, estou certo, uma estrela de primeira grandeza no firmamento da comunidade científica universal. A seu tempo tudo se confirmará, estou crente.